segunda-feira, 14 de maio de 2007

Em busca da reconciliação

Por Anália Barbosa-Da equipe de A CRÍTICA .14/05/07.

A criação de uma reforma política, o estabelecimento do voto distrital e o fortalecimento da cultura de fiscalização são sugestões levantadas pelo cientista político Gilson Gil para aproximar a relação entre políticos e eleitores. "O distanciamento dos parlamentares com a população é um fato real no País e está muito ligado ao tipo de voto, onde não há uma ligação mais forte entre o candidato e a comunidade que o elegeu", afirma o cientista político.Na tentativa de estimular essa participação das organizações sociais do seu mandato, o senador João Pedro (PT) promoveu um encontro com movimentos sociais, sindicatos e associações, no último sábado. "Esta reunião é o começo de um grande desafio, que é o de evitar o distanciamento entre as organizações e o mandato parlamentar, principalmente num País que tem a cultura da hierarquia", afirmou o senador. A iniciativa, incomum entre os políticos quando já estão eleitos, teve grande participação das entidades, que receberam um documento com acompanhamento das atividades do parlamentar nos primeiros 38 dias de mandato.Chamado de "Mandato Aberto", o debate vai gerar um documento, de acordo com João Pedro, onde será definida a necessidade de criação de uma agenda para novos encontros. "A idéia é repetir esses encontros, mas agora por temáticas. O objetivo é sair das reuniões com idéias e propostas", diz o senador. O cientista político Gilson Gil aponta que essas iniciativas ainda acontecem de forma isolada e esporádica no Brasil, sendo necessário manter uma regularidade para que a relação seja efetiva.Para o presidente da Associação de Aqüicultores de Presidente Figueiredo, Epitáfio Vale, que participou da reunião, o distanciamento da população com os políticos acontece a partir do momento em que ele se elege. "É comum o candidato eleito se isolar da sua base. Essa iniciativa do encontro é boa para que o político conheça as instituições, seus anseios e detecte problemas que possa contribuir". Na hora de manter a relação com a sociedade, os candidatos encontram dificuldades naturais, explica Gilson Gil. "O candidato não sabe muito bem quem votou nele, já que o voto é disperso. Por isso, acredito que a reforma política seja indispensável. O voto distrital dividiria a cidade por distritos que escolheriam seus representantes", sugere. Atualmente, as regras eleitorais são complexas e, por conta do coeficiente eleitoral e das coligações partidárias, acabam elegendo quem teve menos votos. A pouca tradição da população em acompanhar os mandatos e até o desconhecimento sobre as funções de cada cargo contribuem para a fraca ligação com os políticos. "A população desconhece o que é o mandato e acaba cobrando, por exemplo, obras de parlamentares que atuam no legislativo. Então, muitas vezes, o próprio parlamentar realiza trabalhos assistenciais para mostrar serviço, mesmo sabendo que não é esse o seu papel", explica.

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