Parentesco entre políticos com
cargos federais enfraquece o Congresso.


Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revela que de cada dez congressistas dois são parentes ou casados com políticos. Pelo menos 10% dos deputados federais são filhos de políticos. Para o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, isso explica a política de favorecimento entre os parlamentares. Em entrevista, ele comenta os resultados do estudo.
ÉPOCA - Qual o impacto da continuidade desses clãs no Congresso para o país?
Leôncio Martins Rodrigues - De modo geral, deve favorecer o clientelismo, a política dos favores, reduzir a taxa de conflito e enfraquecer as estruturas partidárias.
ÉPOCA - Como escapar disso?
Rodrigues - É difícil porque, numa democracia, não se pode proibir as pessoas que estão em gozo de seus direitos cívicos de disputarem as eleições.O aumento da mobilidade social, tanto vertical como horizontal, provavelmente contribuirá para reduzir a proporção de parentes no Congresso. Convém notar, contudo, que não se trata de um fenômeno exclusivamente brasileiro.
ÉPOCA - Nesse caso, a reforma política adianta?
Rodrigues - Não. Os parentes de políticos sempre levarão vantagens porque contam com as redes de apoios de quem já é político. O simples fato de muitos poderem usar o nome de um parente famoso já é uma vantagem. Além disso, são socializados desde muito cedo para a atividade política. Mas não creio que a presença dos parentes nos órgãos políticos seja um mal em si. Há “famílias de políticos” como há “famílias de médicos”, de artistas, de atletas. Nos velhos tempos do Partido Comunista, havia até mesmo famílias cujos membros filiavam-se a essa organização.
ÉPOCA - Afinal, quando a real renovação acontecerá?
Rodrigues - Ao contrário do que geralmente se acredita, a renovação da classe política brasileira já vem ocorrendo e se acentuou bastante depois da vitória do Lula. Acontece que a ascensão na política geralmente exige tempo.
POLÍTICA EM FAMÍLIA
 |  | | ministro da Justiça Tarso Genro, pai da deputada Luciana Genro (Psol-RS) | |   |
| deputado Augusto Farias (PTB-AL), irmão do falecido PC Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor
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 |  | | senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), avô do deputado ACM Neto (DEM-BA) | |   |
| ex-deputado Pedro Corrêa (PP-SP), cassado em 2006, pai da deputada Aline Correa (PP-SP)
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 |  | | deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), ex-marido da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA) | |   |
| senador Valdir Raupp (PMDB-RO), marido da deputada Marinha Raupp (PMDB-RO)
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 |  | | senador Edison Lobão (DEM-MA), casado com a deputada Nice Lobão (DEM-MA) | |   |
| senador Gerson Camata (PMDB-ES), casado com a deputada Rita Camata (PMDB-ES)
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 |  | | senador Efraim Morais (PMDB-PB), pai do deputado Efraim Filho (PMDB-PB) | |   |
| deputado federal Nelson Bornier (PMDB-RJ), pai do deputado Felipe Bornier (PHS-RJ)
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 |  | | senador Jose Agripino Maia (DEM-RN), pai do deputado Felipe Maia (DEM-RN) | |   |
| deputado José Genoino (PT-SP), irmão do deputado José Guimarães (PT-CE)
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 |  | | ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC), pai do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) | |   |
| prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM-RJ), pai do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)
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 |  | | senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), pai do deputado Valadares Filho (PSB-SE) | |   |
| senador Joao Durval Carneiro (PDT-BA), pai do deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA)
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 |  | ex-senador Álvaro Dias (PSDB-PR), irmão do senador Osmar Dias (PDT-PR)
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 |  |  | | senador Renan Calheiros (PMDB-AL), irmão dos deputados Olavo Calheiros (PMDB-AL) e Renildo Calheiros (PCdoB-PE) | |
 |  |  | | senador José Sarney (PMDB-AP), pai da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e do deputado Sarney Filho (PV-MA) | |
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