VISÃO INTERNACIONAL
Os EUA e a Europa têm financiado as guerras no Oriente Médio pelo domínio do petróleo e água naquela região. Nos últimos dez anos, as mais evidentes foram a do Afeganistão, contra o regime Talibã e do Iraque contra Sadam Hussein, antes lideradas por George Bush. Estas têm como desculpa básica o combate ao terrorismo e ao governo de ditadores nesta região onde tropas americanas e de outros países permanecem para fazer a “segurança”. Este terrorismo tem como personagem Osama Bin Laden, considerado inimigo número um dos americanos e europeus nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, em 2004 na Espanha e 2005 na Inglaterra. Com a vitória do primeiro Presidente negro da história Barack Obama em 2008, empossado este ano, há uma previsão da retirada das tropas americanas do Iraque a partir de 2011, visto que estão desde 2003, pois decorrer deste período militares e civis morreram de forma injustificada. E com a visita do atual Presidente ao Oriente Médio e ao Egito recentemente, a intenção é aproximar o mundo islâmico dos americanos principalmente depois dos atentados de 11 de setembro.
O Governo Lula, neste contexto tem incrementado para o bloco econômico não oficial denominado BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul chamados países emergentes. Vem tentando fechar alianças com os países do Oriente Médio. Isto tem obrigado o presidente a viajar pelo mundo. Nenhum presidente viajou mais que Lula a negócios especialmente a China, viagens estas com dinheiro público. O Brasil pauta também no cenário político sua inclusão como membro titular no Conselho de Segurança da ONU, que disputa com o México, sendo que este último tem o apoio dos EUA. Para isso, Lula cedeu as forças militares brasileiras para liderar a “força de paz” no Haiti.
Recentemente a Coréia do Norte fez teste com um míssil nucelar de pequeno alcance. O teste nuclear que a Coréia do Norte apresentou fortes críticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), dos Estados Unidos, da União Européia e da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) principalmente o Japão e a Coréia do Sul, mas a intenção é demonstrar a sua força aos EUA e ameaçar os seus vizinhos, sendo o governo ditatorial do mundo. O Brasil também condenou a demonstração de força norte-coreana com um míssil de destruição em massa com efeito radioativo. Todo esse processo tem o apoio da China que é uma forte concorrente econômica dos americanos e a Rússia também que é concorrente militar.
Ninguém questiona que a crise financeira que começou nos EUA se alastrou pelo mundo e já afeta toda a economia mundial, tampouco se questiona sua causa imediata. O Fórum Social Mundial realizado em Belém, em janeiro deste ano, mostrou que estão sendo dados passos importantes em direção a esse novo modo de produção e consumo. Percebê-los é o desafio de quem precisa entender os sinais dos tempos. Um destes é a economia solidária, que avança em diferentes partes do nosso Planeta. Ela não quer ser uma forma de política social – focada no atendimento às necessidades de pessoas excluídas do mercado – mas política econômica – um novo modo de produzir, distribuir e consumir bens e serviços.
O Brasil no campo social mantém sua “ação de combate” a fome e a miséria, através do Bolsa Família. Mesmo assim tem conseguido cumprir parcialmente as metas, mesmo atingindo índices acima de todos os governos anteriores, fato realizado diariamente na mídia e nos encartes governamentais de propaganda. Atualmente, o grande projeto do governo federal é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) onde sua intenção é promover ações na infraestrutura, habitação, saúde, segurança, educação, entre outras. No entanto, o pano de fundo deste projeto é atender elites políticas e empresarais no país. Como o caso da transposição do Rio São Francisco onde o Bispo Dom Frei Cappio,OFM fez greve de fome, pois tem convicção que as obras afetarão de forma ambiental e sócio-economico as comunidades deste rio e também a instalação das Usinas de Jirau e Santo Antonio no Rio Madeira em Rondônia onde as pessoas destas comunidades sequer foram consultadas sobre seus possíveis impactos. Em tese, PAC não tem consulta popular para saber que benefícios e prejuízos ao povo que será atingido.
Na área política, o governo vem lutando com a oposição para barrar a CPI da PETROBRÁS uma estatal brasileira que é suspeita de corrupção, beneficiamento econômico e eleitoral. O governo tem maioria nesta CPI e vem barrando a oposição. Porém, nas votações no Senado a oposição paga na mesma moeda, pois tem maioria. Dirigentes e líderes partidários no Congresso financiaram dezenas de viagens ao exterior de familiares e amigos com dinheiro público. De fato há duas preocupações para o governo neste momento: primeiro se salvar a qualquer preço, especialmente a imagem do presidente, que articula um terceiro mandato e a segunda, como construir a nova plataforma de campanha da pré-candidata Dilma Roussef e quem serão os seus aliados, visto que o PMDB não tem devidamente colaborado com o governo e sim com seus interesses políticos onde ocupa cargos nos ministérios e derrotou a maioria dos petistas nas eleições municipais.
REAÇÃO DA IGREJA
Vale salientar algumas reações dos movimentos sociais, pastorais e Igreja Católica, OAB e outros que vem pautando proposições ao atual governo e exigindo mudanças de sua política econômica e de combate a corrupção, além dos investimentos sociais. A última Mobilização Nacional foi a Campanha Ficha Limpa realizada quando a iniciativa atingiu 650 mil assinaturas. O dia 21 de abril foi escolhido para a realização de mais um grande mutirão para angariar assinaturas e novos apoiadores da campanha. Alguns dos 279 “Comitês
A AMAZÔNIA BRASILEIRA
A Amazônia é essencial de vida para toda a humanidade. Reconhecida como fator de equilíbrio necessário para todo o planeta, tem a ver com a qualidade da vida global da Terra. O Instituto de Pesquisas Espaciais anunciou que o desmatamento na Amazônia chegou a
O agronegócio sempre se beneficiou das vantagens concedida dos governos, inclusive do atual que amplia o desmatamento para a ampliação de pasto de gado. Beneficia a minoria de trabalhadores qualificados e prestadores de serviço, pois a lógica do mais forte obriga os menos preparados e mais pobres a aceitarem regimes de trabalho de escravidão. No Amazonas destacamos o sul do Estado entre Apuí, Humaitá e Boca do Acre onde temos a “invasão” de pessoas ‘sulistas’ organizando a cultura da soja.
A riquíssima “sociobiodiversidade” da Amazônia continua ameaçada por muitas formas de devastação, ficando submetida aos interesses de pessoas e grupos que visam o lucro, não se importam com a sua sobrevivência, principalmente pela biopirataria e as cobaias humanas. Os assassinatos por posse de terra são grandes, especialmente no Pará, onde trabalhadores rurais, missionários e de movimentos sociais continua constante. A concessão de terras da Amazônia ainda é alarmante, como aconteceu no Rio Madeira quando um sueco ganhou um espaço do tamanho da cidade de Londres. Há na Amazônia um grande corredor para o narcotráfico que sempre vem da região de Tabatinga, mas a nova rota é Rio Juruá.
De fato, vale destacar o aumento da insegurança nos centros urbanos e no campo. Há também uma superpopulação em Manaus e Belém aumentando a ocupação desenfreada dos centros urbanos, o desemprego, a prostituição e a violência urbana. Estas cidades têm aumentado seus índices de renda, mas a qualidade de vida social tem piorado. Há um contraste evidente no campo social e econômico. A situação deve se agravar ainda mais com a escolha de Manaus como subsede da Copa de 2014 onde tem um projeto de um estádio o “Arena Manaus” num total de R$ 580 milhões atraindo mais investimento, emprego e o aumento desenfreado da cidade com seu impacto ambiental e socioeconômico. Nisto também vemos os interesses políticos e de multinacionais por essa grande obra que vai ter no Amazonas.
Outra situação são as Reservas Extrativistas e Unidades de Conservação serem administradas por partidos políticos que nas principais reservas do Estado vem trabalhando com as comunidades ribeirinhas para futuramente garantir votos e articulações para possíveis candidatos a cargos de vereador e prefeito. Também temos a presença de ONGs estrangeiras, nacional e evangélicas, dentro dessas reservas que influenciam indígenas, quilombolas e ribeirinhos a viverem de certa forma suas doutrinas.
As principais lideranças da Igreja Assembléia de Deus envolveram os seus membros num grande projeto evangélico infiltrando-se na política. No Amazonas, se fortalecem nos bairros e nas comunidades ribeirinhas mais carentes e conseguem votos para seus os deputados como o Silas Câmara e Francisco Souza. A ideia maior é fazer desta região uma imensa área evangélica. Com este apoio político já conseguiram se instalar em comunidades do interior e montar estrutura de um vilarejo somente desta denominação religiosa. Nesta questão, vereadores e prefeitos estão sendo eleitos somente para defender as causas desta Igreja.
A VISÃO DO ESTADO DO AMAZONAS
No Amazonas a realidade não difere muito da Amazônia
As prefeituras do interior ainda são as “bases” de políticos que usam para ganhar benefícios com seus aliados e na verdade deveriam verificar a realidade do povo que necessita de ações concretas como educação, saúde, cultura, entre outros. Também são impostas às perseguições as pessoas que são contrárias ao pensamento do prefeito e do grupo político que está no poder.
O Governo do Estado implantou o programa Bolsa Floresta como uma garantia para as famílias que fizerem sua parte na “preservação” da Amazônia. No entanto, tem sido um artifício para garantir votos para prefeitos, vereadores, deputados e o próprio governador que pretende ser candidato a senador ou vice-presidente. Os municípios recentemente sofreram com as enchentes que teve uma articulação do governo federal, estadual e municípios para as famílias atingidas, na intenção de garantir a permanência de votos para os políticos envolvidos.
As principais lideranças de movimentos populares vêm ganhando cargos por parte do governo na intenção de calar a voz destes líderes e também garantir os interesses pessoais destas pessoas. Para algumas pessoas não há força de reivindicar o desejo das bases junto aos governos locais, apesar de ter um maior espaço para o diálogo.
Nos municípios de Japurá e Alvarães os ex-prefeitos ficaram devendo 08 meses e 06 meses respectivamente de salários atrasados, fornecedores, ruas no capim e destruídas e o décimo terceiro nem sequer foi pago.
As propostas dos candidatos eleitos tanto para prefeito como para vereador não condizem com os anseios da população. Há recursos financeiros e programas, mas não atingem as comunidades ribeirinhas e pessoas carentes que necessitam de uma verdadeira assistência social. Há uma concentração de poder na pessoa do prefeito e criando desconforto e disputa entre as comunidades maiores, lideranças e pessoas.
As câmaras têm em sua maioria vereadores ligados ao prefeito, onde têm benefícios e que não fiscalizam devidamente as suas ações. A população pouco participa das sessões na câmara e não reivindica seus direitos por muitas vezes depender do poder público seja por um emprego, uma “ajuda” e perseguição política.
O atraso de salários e a pessoas ‘mendigando’ nas prefeituras e câmaras é grande onde pedem para pagar luz, água, pedir rancho, contas de comércio, passagem fluvial e remédios por muitas vezes não terem condições e se tornam presas fáceis dos políticos dessa região pelo voto
Comunidades ribeirinhas de Carauari têm melhores estruturas como Bauana, Bom Jesus, Pupuaí, Novo Horizonte, Roque, Gumo do Facão, Nova Esperança e São Raimundo onde deu uma melhoria na vida dos ribeirinhos. A criação da RESEX e RDS no município ajudou na organização comunitária dos ribeirinhos. Porém, se tornaram alvos de votos políticos pela dimensão das famílias que nelas residem e com assistência técnica agrícola deficiente.
CONCLUSÃO
Este contexto de análises aponta para uma mudança de época, conscientiza quem entende a situação que está vivendo. Diante de ameaças de guerras, de violência e de destruição de muitas formas de vida, nos vemos desafiados a participar da construção de um novo rumo para a economia, as relações sociais, a política, a cultura, as relações internacionais e o equilíbrio ecológico. Para isso, a organização e a reflexão de nossas comunidades são importantes.
Hilário Jebeson Viana da Costa
Cientista Político e Especialista
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