sábado, 20 de junho de 2009

ANÁLISE DE CONJUNTURA-CURSO DE ANIMADORES DE SETOR DA PRELAZIA DE TEFÉ-CARAUARI E ITAMARATI

VISÃO INTERNACIONAL

Os EUA e a Europa têm financiado as guerras no Oriente Médio pelo domínio do petróleo e água naquela região. Nos últimos dez anos, as mais evidentes foram a do Afeganistão, contra o regime Talibã e do Iraque contra Sadam Hussein, antes lideradas por George Bush. Estas têm como desculpa básica o combate ao terrorismo e ao governo de ditadores nesta região onde tropas americanas e de outros países permanecem para fazer a “segurança”. Este terrorismo tem como personagem Osama Bin Laden, considerado inimigo número um dos americanos e europeus nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, em 2004 na Espanha e 2005 na Inglaterra. Com a vitória do primeiro Presidente negro da história Barack Obama em 2008, empossado este ano, há uma previsão da retirada das tropas americanas do Iraque a partir de 2011, visto que estão desde 2003, pois decorrer deste período militares e civis morreram de forma injustificada. E com a visita do atual Presidente ao Oriente Médio e ao Egito recentemente, a intenção é aproximar o mundo islâmico dos americanos principalmente depois dos atentados de 11 de setembro.

O Governo Lula, neste contexto tem incrementado para o bloco econômico não oficial denominado BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul chamados países emergentes. Vem tentando fechar alianças com os países do Oriente Médio. Isto tem obrigado o presidente a viajar pelo mundo. Nenhum presidente viajou mais que Lula a negócios especialmente a China, viagens estas com dinheiro público. O Brasil pauta também no cenário político sua inclusão como membro titular no Conselho de Segurança da ONU, que disputa com o México, sendo que este último tem o apoio dos EUA. Para isso, Lula cedeu as forças militares brasileiras para liderar a “força de paz” no Haiti.

Recentemente a Coréia do Norte fez teste com um míssil nucelar de pequeno alcance. O teste nuclear que a Coréia do Norte apresentou fortes críticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), dos Estados Unidos, da União Européia e da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) principalmente o Japão e a Coréia do Sul, mas a intenção é demonstrar a sua força aos EUA e ameaçar os seus vizinhos, sendo o governo ditatorial do mundo. O Brasil também condenou a demonstração de força norte-coreana com um míssil de destruição em massa com efeito radioativo. Todo esse processo tem o apoio da China que é uma forte concorrente econômica dos americanos e a Rússia também que é concorrente militar.

Ninguém questiona que a crise financeira que começou nos EUA se alastrou pelo mundo e já afeta toda a economia mundial, tampouco se questiona sua causa imediata. O Fórum Social Mundial realizado em Belém, em janeiro deste ano, mostrou que estão sendo dados passos importantes em direção a esse novo modo de produção e consumo. Percebê-los é o desafio de quem precisa entender os sinais dos tempos. Um destes é a economia solidária, que avança em diferentes partes do nosso Planeta. Ela não quer ser uma forma de política social – focada no atendimento às necessidades de pessoas excluídas do mercado – mas política econômica – um novo modo de produzir, distribuir e consumir bens e serviços.

VISÃO NACIONAL

O Brasil no campo social mantém sua “ação de combate” a fome e a miséria, através do Bolsa Família. Mesmo assim tem conseguido cumprir parcialmente as metas, mesmo atingindo índices acima de todos os governos anteriores, fato realizado diariamente na mídia e nos encartes governamentais de propaganda. Atualmente, o grande projeto do governo federal é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) onde sua intenção é promover ações na infraestrutura, habitação, saúde, segurança, educação, entre outras. No entanto, o pano de fundo deste projeto é atender elites políticas e empresarais no país. Como o caso da transposição do Rio São Francisco onde o Bispo Dom Frei Cappio,OFM fez greve de fome, pois tem convicção que as obras afetarão de forma ambiental e sócio-economico as comunidades deste rio e também a instalação das Usinas de Jirau e Santo Antonio no Rio Madeira em Rondônia onde as pessoas destas comunidades sequer foram consultadas sobre seus possíveis impactos. Em tese, PAC não tem consulta popular para saber que benefícios e prejuízos ao povo que será atingido.

Na área política, o governo vem lutando com a oposição para barrar a CPI da PETROBRÁS uma estatal brasileira que é suspeita de corrupção, beneficiamento econômico e eleitoral. O governo tem maioria nesta CPI e vem barrando a oposição. Porém, nas votações no Senado a oposição paga na mesma moeda, pois tem maioria. Dirigentes e líderes partidários no Congresso financiaram dezenas de viagens ao exterior de familiares e amigos com dinheiro público. De fato há duas preocupações para o governo neste momento: primeiro se salvar a qualquer preço, especialmente a imagem do presidente, que articula um terceiro mandato e a segunda, como construir a nova plataforma de campanha da pré-candidata Dilma Roussef e quem serão os seus aliados, visto que o PMDB não tem devidamente colaborado com o governo e sim com seus interesses políticos onde ocupa cargos nos ministérios e derrotou a maioria dos petistas nas eleições municipais.


REAÇÃO DA IGREJA

Vale salientar algumas reações dos movimentos sociais, pastorais e Igreja Católica, OAB e outros que vem pautando proposições ao atual governo e exigindo mudanças de sua política econômica e de combate a corrupção, além dos investimentos sociais. A última Mobilização Nacional foi a Campanha Ficha Limpa realizada quando a iniciativa atingiu 650 mil assinaturas. O dia 21 de abril foi escolhido para a realização de mais um grande mutirão para angariar assinaturas e novos apoiadores da campanha. Alguns dos 279 “Comitês 9840” definiram ações de coleta em seus municípios. Além das estratégias de cada comitê, a intenção é que todos se unam, montem postos fixos nas cidades para as assinaturas e divulguem a proposta. Está previsto para este segundo semestre, a realização do Grito dos Excluídos que sempre é realizado no dia 07 de setembro, dia da Independência do Brasil com um tema social.


A AMAZÔNIA BRASILEIRA

A Amazônia é essencial de vida para toda a humanidade. Reconhecida como fator de equilíbrio necessário para todo o planeta, tem a ver com a qualidade da vida global da Terra. O Instituto de Pesquisas Espaciais anunciou que o desmatamento na Amazônia chegou a 190 quilômetros quadrados nos meses de fevereiro, março e abril. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve redução de 90% no ritmo do desmatamento. Em parte, a queda se deve à forte presença de nuvens sobre a Amazônia no período, o que dificultou o monitoramento por satélite. Mato Grosso e Pará foram os estados que mais desmataram.

O agronegócio sempre se beneficiou das vantagens concedida dos governos, inclusive do atual que amplia o desmatamento para a ampliação de pasto de gado. Beneficia a minoria de trabalhadores qualificados e prestadores de serviço, pois a lógica do mais forte obriga os menos preparados e mais pobres a aceitarem regimes de trabalho de escravidão. No Amazonas destacamos o sul do Estado entre Apuí, Humaitá e Boca do Acre onde temos a “invasão” de pessoas ‘sulistas’ organizando a cultura da soja.

A riquíssima “sociobiodiversidade” da Amazônia continua ameaçada por muitas formas de devastação, ficando submetida aos interesses de pessoas e grupos que visam o lucro, não se importam com a sua sobrevivência, principalmente pela biopirataria e as cobaias humanas. Os assassinatos por posse de terra são grandes, especialmente no Pará, onde trabalhadores rurais, missionários e de movimentos sociais continua constante. A concessão de terras da Amazônia ainda é alarmante, como aconteceu no Rio Madeira quando um sueco ganhou um espaço do tamanho da cidade de Londres. Há na Amazônia um grande corredor para o narcotráfico que sempre vem da região de Tabatinga, mas a nova rota é Rio Juruá.

De fato, vale destacar o aumento da insegurança nos centros urbanos e no campo. Há também uma superpopulação em Manaus e Belém aumentando a ocupação desenfreada dos centros urbanos, o desemprego, a prostituição e a violência urbana. Estas cidades têm aumentado seus índices de renda, mas a qualidade de vida social tem piorado. Há um contraste evidente no campo social e econômico. A situação deve se agravar ainda mais com a escolha de Manaus como subsede da Copa de 2014 onde tem um projeto de um estádio o “Arena Manaus” num total de R$ 580 milhões atraindo mais investimento, emprego e o aumento desenfreado da cidade com seu impacto ambiental e socioeconômico. Nisto também vemos os interesses políticos e de multinacionais por essa grande obra que vai ter no Amazonas.

Outra situação são as Reservas Extrativistas e Unidades de Conservação serem administradas por partidos políticos que nas principais reservas do Estado vem trabalhando com as comunidades ribeirinhas para futuramente garantir votos e articulações para possíveis candidatos a cargos de vereador e prefeito. Também temos a presença de ONGs estrangeiras, nacional e evangélicas, dentro dessas reservas que influenciam indígenas, quilombolas e ribeirinhos a viverem de certa forma suas doutrinas.

As principais lideranças da Igreja Assembléia de Deus envolveram os seus membros num grande projeto evangélico infiltrando-se na política. No Amazonas, se fortalecem nos bairros e nas comunidades ribeirinhas mais carentes e conseguem votos para seus os deputados como o Silas Câmara e Francisco Souza. A ideia maior é fazer desta região uma imensa área evangélica. Com este apoio político já conseguiram se instalar em comunidades do interior e montar estrutura de um vilarejo somente desta denominação religiosa. Nesta questão, vereadores e prefeitos estão sendo eleitos somente para defender as causas desta Igreja.

A VISÃO DO ESTADO DO AMAZONAS

No Amazonas a realidade não difere muito da Amazônia em geral. Há um discurso de desenvolvimento, através do Programa Zona Franca Verde, realizado pelo Governo que não condiz com a realidade dos municípios. No interior e na própria capital os índices de desemprego, inchaço das cidades maiores é considerável, como por exemplo Coari, Tefé e Manacapuru. Todas as cidades não possuem aterro sanitário e estrutura suficiente para atender a demanda de pessoas, sendo o lixo urbano um dos principais problemas para ser controlado. Embora o discurso seja arrebatador, o desenvolvimento das cidades está aquém de qualquer expectativa da melhoria da qualidade de vida. Os recursos na ponta ainda são poucos enquanto o Estado é o maior arrecadador de impostos no Brasil.

As prefeituras do interior ainda são as “bases” de políticos que usam para ganhar benefícios com seus aliados e na verdade deveriam verificar a realidade do povo que necessita de ações concretas como educação, saúde, cultura, entre outros. Também são impostas às perseguições as pessoas que são contrárias ao pensamento do prefeito e do grupo político que está no poder.

O Governo do Estado implantou o programa Bolsa Floresta como uma garantia para as famílias que fizerem sua parte na “preservação” da Amazônia. No entanto, tem sido um artifício para garantir votos para prefeitos, vereadores, deputados e o próprio governador que pretende ser candidato a senador ou vice-presidente. Os municípios recentemente sofreram com as enchentes que teve uma articulação do governo federal, estadual e municípios para as famílias atingidas, na intenção de garantir a permanência de votos para os políticos envolvidos.

As principais lideranças de movimentos populares vêm ganhando cargos por parte do governo na intenção de calar a voz destes líderes e também garantir os interesses pessoais destas pessoas. Para algumas pessoas não há força de reivindicar o desejo das bases junto aos governos locais, apesar de ter um maior espaço para o diálogo.

Nos municípios de Japurá e Alvarães os ex-prefeitos ficaram devendo 08 meses e 06 meses respectivamente de salários atrasados, fornecedores, ruas no capim e destruídas e o décimo terceiro nem sequer foi pago. Em Fonte Boa, o ex-prefeito deixou a cidade em calamidade e o salário dos servidores foi pago na casa dos mesmos. Porém, a população mudou a estrutura política dessas cidades. Podemos neste contexto destacar políticos que são financiados pelo tráfico de drogas e na maioria dos casos são eleitos.

VISÃO DOS MUNICIPIOS DA CALHA DO JURUÁ

As propostas dos candidatos eleitos tanto para prefeito como para vereador não condizem com os anseios da população. Há recursos financeiros e programas, mas não atingem as comunidades ribeirinhas e pessoas carentes que necessitam de uma verdadeira assistência social. Há uma concentração de poder na pessoa do prefeito e criando desconforto e disputa entre as comunidades maiores, lideranças e pessoas.

As câmaras têm em sua maioria vereadores ligados ao prefeito, onde têm benefícios e que não fiscalizam devidamente as suas ações. A população pouco participa das sessões na câmara e não reivindica seus direitos por muitas vezes depender do poder público seja por um emprego, uma “ajuda” e perseguição política.

O atraso de salários e a pessoas ‘mendigando’ nas prefeituras e câmaras é grande onde pedem para pagar luz, água, pedir rancho, contas de comércio, passagem fluvial e remédios por muitas vezes não terem condições e se tornam presas fáceis dos políticos dessa região pelo voto em eleições. A questão das ausências dos prefeitos dessas cidades sem dar explicações ao povo das viagens que fazem, pois são despesas feitas com o dinheiro público. Também tivemos prefeitos que atrasaram salários, destruíram cidades desta região, deixaram de pagar décimo terceiro, fornecedores e pior de tudo, conseguiram se reeleger ou fizeram seus sucessores.

Comunidades ribeirinhas de Carauari têm melhores estruturas como Bauana, Bom Jesus, Pupuaí, Novo Horizonte, Roque, Gumo do Facão, Nova Esperança e São Raimundo onde deu uma melhoria na vida dos ribeirinhos. A criação da RESEX e RDS no município ajudou na organização comunitária dos ribeirinhos. Porém, se tornaram alvos de votos políticos pela dimensão das famílias que nelas residem e com assistência técnica agrícola deficiente.


CONCLUSÃO

Este contexto de análises aponta para uma mudança de época, conscientiza quem entende a situação que está vivendo. Diante de ameaças de guerras, de violência e de destruição de muitas formas de vida, nos vemos desafiados a participar da construção de um novo rumo para a economia, as relações sociais, a política, a cultura, as relações internacionais e o equilíbrio ecológico. Para isso, a organização e a reflexão de nossas comunidades são importantes.

Hilário Jebeson Viana da Costa

Cientista Político e Especialista em Administração Publica

em 17-19/06/2009

Nenhum comentário: