domingo, 28 de fevereiro de 2010

EDITORIAL-Pedagogia Política

Este ano, em função do torneio eleitoral, muitos serão os candidatos que se apresentarão para o pleito sem que estejam devidamente preparados para exercitarem eles próprios a democracia. Nisso, não se diferenciam dos pedagogos que se formam todos os anos, em boa e significativa quantidade, com notória incapacidade de cumprir as exigências da escola do “ler, escrever e contar”. Mas políticos, assim como pedagogos, constituem importantes atores sociais. E, se por um lado, precisam de respeito, por outro, devem preocupar-se com a qualidade do que estão dispostos a fazer. Grosso modo, é inaceitável que um professor seja deficiente exatamente no que tange à leitura, às operações matemáticas e à prática de contar, afinal vem daí a sua maior ou menor capacidade de suscitar nos alunos a curiosidade pelo conhecimento. De igual modo, não se admite que um candidato predisposto a lutar pelo bem comum seja, ele próprio, descompromissado com os princípios nos quais se assenta a democracia. Sinteticamente, esta requer menos voluntarismo e mais zelo pela coisa pública, um atributo bastante em falta entre muitas pessoas que costumam obter do eleitor o credenciamento para representá-lo, por não serem, na prática, comprometidas com a promoção a justiça social. Agentes políticos que negligenciam esse fundamento democrático não são diferentes dos professores que, por exemplo, embora conheçam aspectos metodológicos do ato de ensinar matemática, não dominam efetivamente essa disciplina, concorrendo, por conseguinte, para uma formação capenga dos alunos. Assim é na política. Não basta que eventual candidato (a) a um cargo eletivo saiba que a democracia é um processo e/ou que ela rima muito bem com diálogo e participação, com moralidade e com transparência.

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