sexta-feira, 4 de maio de 2007

Perdendo a chance

Carlos Alberto Sardenberg-em 03/05/07-Jornal da Globo.

A melhor coisa que o Brasil poderia fazer é aproveitar a cotação barata do dólar para importar máquinas e equipamentos. Em 2005, as reservas do Banco Central Brasil eram de US$ 54 bilhões, e o dólar valia R$ 2,40; hoje, as reservas são de US$ 123 A melhor coisa que o Brasil poderia fazer é aproveitar a cotação barata do dólar para importar máquinas e equipamentos. Em 2005, as reservas do Banco Central Brasil eram de US$ 54 bilhões, e o dólar valia R$ 2,40; hoje, as reservas são de US$ 123 bilhões, e o dólar está chegando nos R$ 2. Ou seja: o dólar caiu, enquanto as reservas aumentaram muito.

Tem um volume de entrada de dólares muito grande na economia brasileira: US$ 45 bilhões de saldo de comércio externo; mais uns US$ 20 bilhões de investimento externo direto; só aí, já são US$ 65 bilhões. Com os investimentos em Bolsa de Valores, já vai para US$ 75 bilhões; mais investimento em juros, vai dar uns US$ 90 bilhões que entram todo ano, liquidamente, na economia brasileira. E é que nem banana: tem muita banana, cai o preço da banana; com muito dólar, cai o preço do dólar.

A economia mundial vai bem e pega o Brasil num momento de estabilidade econômica – portanto, o país atrai mais dólares. Mas tem uma ironia, que é a seguinte: quanto mais o Banco Central compra dólares e acumula reservas, mais chance tem de pagar suas contas em dia, de não sofrer crises; portanto, o risco-Brasil cai. E o que acontece? Entram mais dólares na economia.

A cotação do dólar muito baixa atrapalha alguns setores da economia. Mas o governo poderia ajudar esses setores da economia em particular, e deixar que o dólar chegasse a um nível que derruba a inflação, facilita as importações, etc.

A verdade é a seguinte: a melhor coisa que o Brasil poderia fazer é aproveitar a cotação barata do dólar para importar máquinas, equipamentos, programas, softwares - que produzam uma melhora na economia.

Mas eu acho que o governo está perdendo a chance. Tem dinheiro sobrando no Brasil e dinheiro sobrando no mundo; tem obras por fazer no Brasil: se ele tirasse as amarras do investimento privado, o Brasil decolava. Do jeito que está, cresce 4,5%; se fizesse essa abertura para o investimento privado, cresceria à chinesa.


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