sexta-feira, 4 de maio de 2007

Savanização da Amazônia vai impor redução drástica da produção agrícola

Renan Albuquerque- Jornal Amazonas Em Tempo-04/05/07.

Image A correlação de dois estudos (da Embrapa e do Inpe) publicados esta semana indica que a taxa de degradação da vegetação amazônica (espécie de savanização) até o fim deste século vai afetar diretamente a produção agrícola na região. As avaliações seguem a mesma linha das pesquisas de Antonio Manzi (LBA) e Philip Fearnside (Cpec-foto), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A perspectiva é que a soja poderia ter sua produção diminuída em cerca em 14%, o arroz em 4%, o feijão em 3% e o milho em 2%. A ocorrência começaria a partir de 2020.

Sobre a afirmativa, Fearnside já chegou a ressaltar que existiu no documento terceiro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) modelos que indicam savanização de cerca de 18% da Amazônia até 2100 – inclusive o mais extremo, que aponta 100% de devastação nesse período. As projeções, segundo o pesquisador, só levam em consideração efeitos das mudanças climáticas. A contribuição do desmatamento e das queimadas estão fora dessa conta, o que, nas palavras de Fearnside, pode acelerar de forma muito mais radical o processo de destruição da Amazônia.

Por seu turno, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) avaliou os possíveis impactos de mudanças climáticas na agricultura brasileira. Na tarefa, a ação social foi levada a termo. Segundo os resultados, o País poderá deixar de exportar cerca de US$370 milhões em café até 2020. Isso sem falar nas perdas com soja, arroz, feijão e milho, conforme indicativo da Embrapa.

O trabalho avaliou o clima, o solo, os gases e a agroenergia, o que resultou em estudos sobre sistema de produção, melhoramento genético, tendências climáticas, entre outros. Dessa forma, a ação humana foi considerada, o que é ajuda a compreender ainda mais os efeitos do aquecimento global na Amazônia.

Para corroborar a avaliação, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aposta que a deficiência agropecuária se dará porque no período que vai de 2020 a 2029 a savana deve crescer 5,2% no norte do Brasil. Em meados do século, de 2050 a 2059, esse crescimento será de 15,6%. Além disso, referenda a pesquisa, o processo de savanização tende ser maior na porção leste da Amazônia.

O Inpe, dessa maneira, foca sua análise sobre a previsão do aumento de temperatura média do planeta. Pesquisadores do instituto afirmam que o planeta irá aquecer entre 20C e 60C até fim do século.

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